Amamentação no Cárcere

O aleitamento materno é o processo natural e ideal para nutrir uma criança nos primeiros meses de vida, já que é o alimento necessário para o desenvolvimento biológico e psicológico do bebê. A prática do aleitamento é alvo de ações de estímulo em todo o mundo, por parte de governos e instituições de saúde. No caso de mulheres encarceradas, a legislação brasileira prevê o direito de amamentar. Dentre as medidas, estão a permanência de no mínimo seis meses com o filho para a amamentação, que o ambiente prisional feminino possua berçários para que mãe e bebê tenham local ideal para a prática de amamentação e também o acompanhamento de mulheres gestantes.

Com o objetivo de possibilitar o relacionamento entre as mães e bebês, o projeto “Amamentação no cárcere: possibilidades e desafios para mães e bebês“, atividade extensionista vinculada ao Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento (NTPC) da UFPA, leva às custodiadas do Centro de Reeducação Feminino de Ananindeua ações de estímulo à amamentação e acompanhamento especializado.

Dentre as atividades realizadas pelo projeto estão a criação e a manutenção de uma brinquedoteca móvel na Unidade Materno-Infantil (UMI), que é administrada pela Superintendência do Sistema Penitenciádio do Estado do Pará (SUSIPE). A brinquedoteca móvel é um carrinho de madeira no qual são colocados brinquedos, livros, materiais de pintura, cola e papel de diversas cores, e que permitiu a criação do Livro da Mãe e seu Bebê, que serve como diário para as anotações das experiências dessas mulheres com seus filhos.

A coordenadora do projeto, Celina Magalhães, explica que o trabalho é um incentivo às mães custodiadas desenvolverem um vínculo com os seus bebês, por meio da valorização de rituais como festejar a saída e chegada na unidade, o primeiro mês de vida e outros momentos importantes.

“Quem não está na carceragem festeja esses momentos, como o ‘fazer a pinça’, por exemplo, que é a primeira vez que o bebê faz um movimento de pinça para pegar um alimento. Então o objetivo foi reforçar esses rituais e mostrar para essas mulheres que elas, mesmo em uma situação adversa como essa, em que elas estão privadas de liberdade, podem amadurecer e fortalecer esses vínculos com os seus bebês”, afirma a professora Celina.

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