Alfabetização na pandemia

No UFPA Ensino dessa semana falamos sobre Alfabetização na Pandemia. Para detalhar o tema, entrevistamos a professora Elizabeth Orofino Lúcio, representante da Associação Brasileira de Alfabetização e pesquisadora vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Inovação e Criatividade no Ensino Superior (PPGCIMES) e responsável da região Norte pela pesquisa “Alfabetização em Rede: Uma investigação sobre o ensino remoto da alfabetização na Pandemia Covid-19 e a sobre a recepção da Política Nacional de Alfabetização (PNA)”.

Em primeiro lugar, a professora nos explica que a alfabetização é um processo complexo por natureza e que o cenário da pandemia delineia novos limites e evidencia desigualdades sociais que distanciam os cidadãos da cultura escrita. Desse modo, a pesquisa “Alfabetização em Rede” reúne uma rede de pesquisadores para pensar como o processo de alfabetização está se efetivando nesse contexto diferenciado.

Elizabeth Orofino expõe que a pesquisa, a qual já conta com mais de 15 mil respostas de docentes, evidencia dois indicativos sobre como esse processo de alfabetização na pandemia, que são: o uso de materiais impressos e a distribuição de atividades via Whatsapp. Diante disso surge um novo questionamento: “como pais que não são leitores fluentes, não são escritores fluentes ou até analfabetos, estão ajudando essas crianças nesse momento? Como as professoras estão fazendo essa mediação?”, assinala a professora.

A professora explana, ainda, que outra questão que a pesquisa tenta elucidar é como se tem feito a inserção dos sujeitos no mundo da cultura escrita. “Para inserir o sujeito no mundo da cultura escrita eu tenho que trabalhar com a tríade oralidade, leitura e escrita. Como que se tem feito isso?”, questiona.

A inclusão digital é outra questão levantada ao longo do programa, haja vista que o uso das tecnologias no processo de alfabetização durante a pandemia de Covid 19 reavivou a luta, sustentada principalmente pelos professores que lidam com cibercultura, pela internet livre e a disponibilização de um aparato tecnológico para cada aluno. Como alternativa, nota-se o uso de canais de televisão para distribuição das aulas, o que para Elizabeth Orofino reforça a ideia de “educação bancária”.

“Precisamos criar atividades interativas, com co-autoria e participação dos alunos, mas para isso temos que ter uma internet de qualidade. E para isso precisamos ter cada vez mais formação”, expõe a professora, que cita como exemplo de espaço de formação o Programa de Pós-Graduação em Inovação e Criatividade no Ensino Superior (PPGECIM/UFPA), que convoca seus docentes e discentes a pensar novas metodologias.

A professora reforça que a pesquisa “Alfabetização em Rede: Uma investigação sobre o ensino remoto da alfabetização na Pandemia Covid-19 e a sobre a recepção da Política Nacional de Alfabetização (PNA)”, vem reunindo informações valiosas para a articulação de uma nova formação de alfabetizadores e a criação de um elo com as redes municipais e estaduais, a partir de dados concretos e da voz ativa dos docentes.

Sobre o Plano Nacional de Alfabetização, Elizabeth Orofino esclarece que se trata de uma política que vai contra a maré dos estudos de alfabetização e linguagem, ao adotar o fonema como unidade de trabalho, enquanto todos os estudos atualizados do campo da linguagem adotam o discurso como unidade. Apesar da proposta homogeneizadora desta política para todas as regiões, a professora destaca que, na UFPA, o Laboratório Sertão das Águas, junto ao Fórum de Alfabetização e Escrita Flor do Grão-Pará, vêm produzindo conhecimento e propondo alternativas para a alfabetização que pensem as singularidades da região Norte.

Para saber mais sobre a realidade da Alfabetização na Pandemia, a partir da pesquisa “Alfabetização em Rede: Uma investigação sobre o ensino remoto da alfabetização na Pandemia Covid-19 e a sobre a recepção da Política Nacional de Alfabetização (PNA)” ouça essa edição do UFPA Ensino desta semana.

Apresentação: Fabrício Queiroz
Produção e roteiro: Susan Santiago
Gravação e montagem: João Nilo Ferreira e Karla Guimarães
Supervisão e edição: Elissandra Batista e Fabrício Queiroz

O UFPA Ensino vai ao ar às quartas-feiras, às 10h e 21h.
Horários alternativos: Sexta-Feira, às 19h e sábado, às 22h.

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