Observatório de Comunicação, Culturas e Resistência na Pan-Amazônia

Observatório de Comunicação, Culturas e Resistências na Pan-Amazônia

O “Observatório de Comunicação, Culturas e Resistências na Pan-Amazônia” é o tema desta edição do UFPA Entrevista, com a professora Rosane Steinbrenner. O projeto de pesquisa é fruto de parceria entre o Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM) da UFPA e o programa de Mestrado e Doutorado em Comunicação, Linguagens e Informação da Pontifícia Universidade Javeriana, da Colômbia.

As propostas e as metodologias do projeto internacional de investigação comparada e colaborativa serão apresentadas para a comunidade acadêmica, entidades e movimentos sociais nesta terça-feira, 02 de julho, às 14h, no auditório do Instituto de Letras e Comunicação da UFPA. De acordo com a professora Rosane Steinbrenner, coordenadora do projeto pela UFPA, a rede de pesquisa tem caráter exploratório de investigação comparada de práticas, processos e produtos comunicacionais comunitários e de resistência às múltiplas dimensões de impacto, seja social, ambiental, cultural e político, resultantes do modelo dominante de desenvolvimento, extrativo e predatório, na Pan-Amazônia.

“São situações similares que, justamente, os grupos sociais historicamente subalternizados são vítimas e sofrem de forma mais intensa essas pressões, especialmente, nas áreas rurais, mas também nas áreas urbanas porque o modelo de desenvolvimento implementado, que é o modelo neocolonial, traz consigo toda a força desse imaginário que classifica e hierarquiza as pessoas e os grupos sociais entre aqueles que podem ser submetidos a deslocamentos territoriais, as pressões e as injustiças e aqueles que são protegidos. Então é o conceito de injustiça socioambiental que você percebe claramente nesses embates de desenvolvimento. E aqui na Pan-Amazônia temos inúmeros exemplos disso, como a construção da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, para citar um caso.”

A resistências a esses conflitos socioambientais na região é o eixo do Observatório de Comunicação, Culturas e Resistências na Pan-Amazônia, que tem como foco compreender o processo de comunicação nas lutas contra hegemônicas, identificando e dando visibilidade à produtos de comunicação comunitária. Assim, busca-se o reconhecimento de experiências coletivas que, por meio da expressão visível de suas narrativas decorrentes de culturas e modos de vida sociobiodiversos, apontem alternativas sustentáveis frente ao aumento da desigualdade e à deterioração da natureza na região mais estratégica para o equilíbrio da vida no planeta.

A professora Rosane reforça ainda a importância da iniciativa também no sentido de promover a pesquisa em rede, envolvendo pesquisadores de várias áreas e interfaces, estimulando assim estudos comparados de experiências, práticas e processos de produtos de comunicação que contribuam com o fortalecimento das entidades e os movimentos sociais. “O Observatório é justamente um esforço para a troca, para o reconhecimento e a democratização, principalmente, por meio da participação e colaboração dos atores sociais diretamente envolvidos nas lutas de resistências ao modelo hegemônico de desenvolvimento. E nesse cenário, destacam-se os diversos movimentos sociais”, ressalta Rosane.

Para saber mais sobre a nova rede de pesquisa “Observatório de Comunicação, Culturas e Resistências na Pan-Amazônia”, não perca esta edição do UFPA Entrevista. Além disso, todos com interesse em estudos, teorias e práticas relacionadas ao tema e as interfaces do projeto estão convidados a participar do encontro para apresentação das propostas e metodologias do Observatório, nesta terça-feira, 02 de julho, às 14h, no auditório do Instituto de Letras e Comunicação da UFPA.

O UFPA Entrevista vai ao ar todas as segundas-feiras e quartas-feiras, às 15h, e nas terças e quintas às 19h.

Roteiro: Thiago Vasconcellos
Apresentação: Elissandra Batista
Gravação e montagem: João Nilo e Karla Guimarães
Supervisão e edição: Elissandra Batista e Fabrício Queiroz

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  • José Serrão

    Muito bom o projeto de pesquisa e os resultados para a socidade civil organizada.