Arqueologia luso-brasileira em Belém

“UFPA Pesquisa – Arqueologia luso-brasileira em Belém”

UFPA Pesquisa

Rádio Web UFPA

Arqueologia luso-brasileira em Belém é o tema em destaque nesta edição do UFPA Pesquisa, especial pelos 407 anos da capital paraense. No programa, a jornalista Elissandra Batista conversa com o historiador Diogo Menezes e com a estudante Katharine Miná, que explicam e ressaltam a importância do projeto denominado Arqueologia urbana luso-brasileira: Belém a primeira cidade portuguesa na Amazônia.

Envolvendo quatro sítios arqueológicos – Engenho do Murutucu, Casarão da Ladeira, Igreja dos Mercedários e o Cemitério da Soledade – a pesquisa Arqueologia urbana luso-brasileira: Belém a primeira cidade portuguesa na Amazônia é um trabalho realizado por alunos e professores do Programa de Pós-graduação em Arqueologia (PPGA) e, também, do Programa de Pós-graduação em Ciência do Patrimônio (PPGPATRI), ambos da Universidade Federal do Pará.   

No UFPA Pesquisa, os entrevistados afirmam que com as escavações nos sítios arqueológicos que fazem parte do estudo, é possível  entender um pouco mais sobre o passado da capital paraense e da Amazônia, por meio dos vestígios encontrados incluindo vasos, instrumentos de trabalho, louças e ossos. Dessa forma, além de datar com mais precisão a época em que as construções foram erguidas, os pesquisadores podem identificar quais e como viviam os diversos grupos na região.

Por exemplo, no Engenho do Murutucu – construído pelos europeus em 1610, ou seja, seis anos antes da fundação oficial da cidade de Belém – as escavações na área da senzala permitiram que os pesquisadores compreendessem um pouco do cotidiano e da história não contada pelas comunidades indígenas e africanas escravizadas, que ocupavam aquele local durante os séculos XVII, XVIII e XIX.

“Algumas dissertações foram feitas sobre a cerâmica que esses grupos subalternizados produziam, cada um com suas técnicas e diferenças. Outro trabalho é sobre o vidro lascado, que mostra como essas pessoas que não tinham acesso aos instrumentos, como facas, precisavam produzir uma lamina através do lascamento de vidro. Tem outro trabalho sobre cachimbos que fala se havia um espaço de lazer ou até mesmo ritualístico na área do Engenho do Murutucu”, conta o professor Diogo Menezes, destacando os estudos realizados no espaço desde o ano de 2014.

Já em relação ao cemitério da Soledade, o professor Diogo ressalta que as pesquisas começaram em 2022, em parceria com o governo estadual, a prefeitura de Belém e a UFPA. E envolve um estudo específico sobre os restos mortais no local. “Essa pesquisa sobre os ossos é interessante porque, historicamente, a gente tem a ideia de que o cemitério da Soledade é um cemitério de elite. Só que tem dados históricos que falam sobre o sepultamento de subalternizados lá também. Então esse estudo dos ossos, sob o ponto de vista arqueológico, pode preencher a lacuna entre o conhecimento histórico e o folclórico”, explica Menezes.               

Além disso, o projeto Arqueologia urbana luso-brasileira: Belém a primeira cidade portuguesa na Amazônia trabalha na criação de um banco de dados digital para que as informações encontradas nos sítios possam ser armazenadas e manuseadas por toda a sociedade. É uma forma de facilitar o acesso ao conhecimento arqueológico, histórico e científico para que, assim, a população possa compreender e valorizar, cada vez mais, a importância dos patrimônios históricos da cidade de Belém, onde muitas construções ainda sofrem com o abandono e o desaparecimento.     

“Lidar com patrimônio histórico é lidar com a nossa identidade e com as nossas raízes. É entender dá onde a gente veio e, quem sabe, para onde a gente vai. E através de todas essas ciências, a gente consegue ter um aparato suficiente para lidar com esse patrimônio, conservando, restaurando e divulgando para a sociedade em geral”, reforça Katharine Miná, estudante de Conservação e Restauro da UFPA.

Ficou interessado em saber mais como a arqueologia ajuda a conhecer o passado, compreender o presente e lutar por um futuro melhor, em Belém e na Amazônia, então não perca esta edição do UFPA Pesquisa, especial Belém 407 anos. Além das descobertas do projeto Arqueologia urbana luso-brasileira: Belém a primeira cidade portuguesa na Amazônia, você também confere um apanhado sobre a relevância histórica do Engenho do Murutucu, do Casarão da Ladeira, da Igreja dos Mercedários e do cemitério da Soledade.

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