Rios Urbanos

Os rios podem estar diretamente ligados à fundação de uma cidade, mas o processo de urbanização pode provocar intervenções drásticas, mudando a forma como enxergamos e nos relacionamos com esses rios. A poluição dos mananciais é um problema que atinge muitos centros urbanos e envolve operações complexas e investimentos altos para ser melhor aproveitado.

Dados da ONG SOS Mata Atlântica revelam que cerca de um quarto dos rios brasileiros apresenta água de qualidade ruim ou péssima. Os rios nessa condição não servem ao consumo humano nem podem ser usados na agricultura. A análise foi feita em 111 rios em cidades da região sul, sudeste e centro-oeste. O alto nível de poluição está relacionado a fatores como falta de saneamento básico, tratamento de água e desmatamento nas margens dos rios.

Essa realidade também se verifica em Belém. A cidade possui catorze bacias hidrográficas e uma composição que faz com que os terrenos sejam predominantemente alagados e sujeitos a inundações. Alguns dos mananciais da cidade, como o do Rio Tucunduba, são altamente poluídos e densamente habitados.

Para tratar dessas questões que envolvem fatores sociais e estruturais no processo de gestão dos rios urbanos, em Belém, a produção do UFPA Debate convidou a professora do Programa de Pós-graduação em Serviço Social da UFPA e coordenadora do projeto de pesquisa “Grandes Projetos Urbanos e Relações de Trabalho: programa de Macrodrenagem da Bacia Estada Nova”, Sandra Helena Ribeiro Cruz; e, ainda, o professor do programa de pós-graduação em Arquitetura da UFPA e membro do laboratório “Cidade, Arquitetura e História da Amazônia”, Juliano Ximenes Ponte.

A professora Sandra Helena afirma que Belém nasce em meio a uma relação estreita com as águas. Os rios eram importantes para a vida social da cidade, mas, ao longo do processo de urbanização, essa relação foi comprometida por causa de projetos de aterramento e canalização, que foram apagando a memória sobre os rios e fizeram a população perder o cuidado com os recursos hídricos. Para a professora, o planejamento da cidade foi feito de costas para a natureza e teve influência de modelos europeus.

A pesquisadora considera que os rios, na capital paraense, se tonaram simples elementos de atração e embelezamento da cidade. Por isso, critica os projetos de intervenção nos rios urbanos que são pensados para um público externo e que não levam em consideração os moradores que são afetados pelas obras, pois eles nem sempre usufruem das melhorias e acabam remanejados para locais distantes.

O professor Juliano Ximenes também aponta algumas mudanças na relação com os rios desde a função de Belém até os dias de hoje. Em princípio, a água era usada como forma de monitoramento e controle do território, já que a cidade era uma base militar. À medida que Belém foi crescendo, a função dos rios passou a ser mais econômica e de transporte. Em seguida, o recurso hídrico passou a ser tratado a partir de uma lógica instrumental, foi quando começaram obras de intervenção de aterramento, canalização com o objetivo de “disciplinar” o fluxo de água e integrar o território. Mais recentemente, as águas passaram a ser vistas a partir de uma concepção estética e cultural.

Para acompanhar e entender essa importante discussão que visa a preservação, valorização e integração da população com os rios, não perca o UFPA Debate sobre Rios Urbanos.

Apresentação: Fabrício Queiroz
Produção: Leornardo Rodrigues / Foto: Danyllo Bemerguy
Gravação e montagem: João Nilo Ferreira
Supervisão e edição: Elissandra Batista e Fabrício Queiroz

O programa UFPA Debate vai ao ar todas as segundas-feiras, às 10h e 21h.
Horários alternativos: quarta-feira, 19h / Sábado, 10h.

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